REFLEXÕES A PARTIR DO TEXTO DE BLIKSTEIN E ZUFFO
Álen Carla Reggiani Assis
Segundo Blikstein e Zuffo, as tecnologias têm um grande potencial para trazer grandes mudanças à educação. No entanto, não basta introduzir novas tecnologias. É fundamental pensar em como elas são disponibilizadas, como seu uso pode efetivamente desafiar as estruturas existentes em vez de reforçá-las.
Ao tratarmos do uso das TICs na educação, é preciso reconhecer que tudo tem uma história, explícita ou não e como educadores, precisamos desvendá-la, interpretá-la e usá-la para não repetir erros.
Cysneiros (1998) afirma que o fato de se treinar professores em cursos intensivos e de se colocar equipamentos nas escolas não significa que as novas tecnologias serão usadas para melhoria da qualidade do ensino. Ainda é comum a utilização de computadores e outras tecnologias na escola como o vídeo e a televisão, com ênfase no meio e não no conteúdo. São aplicações da tecnologia que não alteram qualitativamente a rotina da escola e os processos de ensino-aprendizagem, que não trazem mudanças substantivas, apenas mudam-se aparências.
Cysneiros denomina essa forma de utilização das TICs como “inovação conservadora”. Algumas tecnologias amplificam a capacidade expositiva do professor, reduzindo o(a) aluno(a) na situação de aprendizagem à condição de expectador.
As tecnologias não são neutras, no sentido de que seu uso proporciona novos conhecimentos do objeto, transformando, pela mediação, a experiência intelectual e afetiva do ser humano. Esse fato exige dos educadores uma postura crítica e reflexiva, avaliando dentre outros, os seguintes aspectos:
- As tecnologias estão de fato disponíveis para o uso de professores e alunos?
- A forma como as TICS têm sido utilizadas ampliam a nossa capacidade de selecionar, interpretar e compreender as informações disponíveis transformando-as em conhecimentos? Ampliam nossa capacidade de criar, e de pensar de maneira crítica?
- As tecnologias têm sido utilizadas em nossas escolas de forma revolucionária, disponibilizando recursos como matéria-prima de construção ou de forma instrucionista, apenas informatizando os métodos de ensino tradicionais?
- Estamos explorando as tecnologias para experimentações em diferentes níveis de realidade, ou seja, para programar o computador, editar filmes, fazer robótica, construir modelos computacionais, criar sites na internet, compartilhar informações, divulgar projetos, enfim, para maximizar o que os alunos podem aprender?
O texto de Paulo Blikstein e Marcelo Zuffo coloca duas importantes questões para o debate entre os educadores. A primeira é de que a disponibilidade oceânica de informação não é garantia de aprendizado ou de construção de conhecimento. Para transformar informação em conhecimento, o professor precisa ajudar os alunos a contextualizar as informações coletadas, a problematizá-las, a descobrir novos significados no conjunto das informações trazidas.
A segunda questão é a de que precisamos compreender o que está por trás do discurso da aprendizagem ao longo da vida e da necessidade de um novo tipo de profissional multifuncional, polivalente e inovador. Estamos assistindo a um processo de transferência da responsabilidade pela atualização profissional da empresa para o empregado, assim como boa parte dos seus custos.
A aprendizagem permanente é uma condição para o trabalho do educador. Se me vejo como aprendiz, antes do que professor, coloco-me numa atitude mais atenta, receptiva e tenho mais facilidade em estar no lugar do aluno, de compreender como ele pensa, a modificar meus pontos de vista.
Podemos ensinar e aprender com programas que incluam o melhor da educação presencial com as novas formas de comunicação virtual. Há momentos em que vale a pena encontrar-nos fisicamente,- no começo e no final de um assunto ou de um curso. Há outros em que aprendemos mais estando cada um no seu espaço habitual, mas conectados com os demais colegas e professores, para intercâmbio constante, tornando real o conceito de educação permanente.
Segundo Moran, ensinar com as novas mídias será uma revolução, se mudarmos simultaneamente os paradigmas convencionais do ensino, que mantêm distantes professores e alunos. Caso contrário, conseguiremos apenas dar um verniz de modernidade, sem mexer no essencial.